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Programa
Mulheres TV Gazeta
Tema: Mulheres na
Bíblia
Mulher. 1. Em relação ao homem. A mulher é, sob
todos os aspectos essenciais, igual ao homem. Socialmente, está co-ordenada
ao homem, mas em posição subordinada como seu complemento e. auxílio (Gen
2,20-24; I Cor 11,9). A igualdade essencial entre o homem e a mulher só foi
apreciada de modo completo no Evangelho. Cf. Obediência.
2. Em relação ao estado social dos povos
bíblicos. As mulheres nos tempos bíblicos eram tratadas como escravas nas
terras pagãs, especialmente na Grécia, onde eram consideradas inferiores
aos homens. O que não acontece em algumas das culturas pré-biblicas
notàvelmente a sumérica, a babilônica e a cretense.
A poligamia, o divórcio fácil e cultos imorais e
idólatras contribuíam para essa condição humilhante. Na Lei Judaica, as
mulheres eram protegidas contra abusos extremos. Eram sempre respeitadas
como as mães do Povo de Deus e eventualmente como as mães da idade
messiânica e de seu rei.
A mulher sempre foi vista
como inferior e submissa ao homem. Considerada como um ser de segunda
categoria devido às interpretações e ideologias machistas. Mas quando
começamos a ser honestos veremos que a Bíblia não é machista mas sim os
homens (padres e pastores) que a interpretam. A Bíblia mostra a mulher em
total igualdade com o homem e jamais a viu como um ser que deveria estar
abaixo do homem.
A Bíblia era usada contra as
mulheres. Pastores e padres deduziam da Palavra de Deus que a mulher fora
responsável pela introdução do pecado no mundo e que, por vontade divina,
devia ser submissa a seu marido. Embora inspirada por Deus, a Bíblia foi
escrita por homens dentro de uma cultura patriarcal. Elizabeth convocou um
grupo de mulheres familiarizadas com o hebraico e o grego, e capacitadas em
teologia e ciências afins. O resultado foi a publicação da "Bíblia das
mulheres", dentro de uma hermenêutica feminista.
Lida por esta ótica, a
Bíblia revela a igualdade entre homens e mulheres e denuncia a leitura
machista que pretende derivar dos desígnios de Deus instrumentos de
dominação, como a interdição de acesso das mulheres ao sacerdócio e ao
episcopado, e a preponderância masculina sob o pretexto de que Eva foi
criada a partir da costela de Adão - quando a natureza não deixa dúvidas de
que todo homem nasce do corpo de uma mulher.
A Bíblia exalta mulheres
ignoradas pela ótica patriarcal: Débora, louvada por sua coragem e
sagacidade militar (Juízes 4), Hulda, por sua pedagogia de se fazer entender
pelos simples e poderosos (2 Reis 22); Vasti,por não aceitar que as esposas
sejam propriedades de seus maridos (Ester 1, 2-22); Maria, por proclamar a
expectativa do Salvador como uma nova ordem onde os poderosos serão
derrubados de seus tronos e os opulentos despedidos com as mãos vazias
(Lucas l, 52-53).
0 evangelista Mateus aponta, na árvore
genealógica de Jesus; cinco mulheres. Tamar, Raab, Rute e Maria; e de modo
implícito, a mãe de Salomão, aquela "que foi mulher de Urias". Não é bem uma
ascendência da qual um de nós haveria de se orgulhar.
MULHER: UM SER IMPURO
?E à mulher [Deus] disse: multiplicarei grandemente a tua dor
e a tua concepção, com dor terás filhos; e o teu desejo para o teu marido, e
ele te dominará.? ? Gênesis, 3:16
?Se uma mulher conceber e tiver um varão, será imunda sete dias... Mas se
tiver uma fêmea, será imunda duas semanas.? ? Levítico, 12:2-5
?Também toda a roupa e toda a pele em que houver semente de cópula, se
lavará com água, e será imundo à tarde. E também a mulher, com quem homem se
deitar, com semente de cópula, ambos se banharão com água, e serão imundos
até à tarde. Mas se a mulher, quando tiver fluxo, e o seu fluxo de sangue
estiver na sua carne, estará sete dias separada, e qualquer que a tocar será
imundo até à tarde. E tudo aquilo sobre o que ela se deitar durante a sua
separação, será imundo. E qualquer que tocar a sua cama, lavará a sua roupa
e se banhará com água, e será imundo até à tarde. E qualquer que tocar
alguma coisa, sobre o que ela se tiver assentado, lavará a sua roupa e se
banhará com água e será imundo até à tarde... E se, com efeito, qualquer
homem se deitar com ela, e a sua imundice estiver sobre ele, imundo será por
sete dias também toda a cama sobre que se deitar será imunda... Esta é a lei
daquele que tem o fluxo, e daquele de quem sai a semente da cópula, e que
fica por ela imundo. Como também da mulher enferma na sua separação, e
daquele que padece do seu fluxo, seja varão ou fêmea, e do homem que se
deita com mulher imunda? ? Levítico, 15:17-33
NOME DAS MULHERES DA BÍBLIA
Ester, Judite,Maria, Maria Madalena,Isabel,
Hulda, Vasti, Raab,
Débora: Uma profetisa, espôsa de
Lapidoto Profetizou nos dias dos juizes e era mulher de grande espírito e
coragem. Pràticamente organizou a resistência contra as investidas
religiosas, culturais e políticas dos cananeus em seus dias (Jz 4). Escolheu
Barac para suscitar um exército e atacar Sísara, general do rei cananeu,
Jabin. Após a vitória compôs um cântico.
O papel da mulher
Durante muito tempo, a
mulher foi vista como pessoa do sexo feminino pertencente à classe inferior.
A cohabitação entre o homem e a mulher não foi sempre fácil e ainda hoje
perguntamos se esse relacionamento existe em perfeito pé de igualdade.
O planeta Terra tem um período de tempo superior a 4.700 milhões de anos e o
homem na sua forma primitiva vive nela há dois milhões de anos. Porém, só há
70.000 anos é que o ser humano começou a sepultar os seus monos,
demonstrando o inicio de práticas rituais. Os defuntos do sexo masculino
eram enterrados com alguns utensílios considerados necessários na outra
vida. Esta crença na vida para além da morte discriminava os sexos, pois são
poucos os vestígios de o homem de Neardental enterrar as mulheres com os
referidos utensílios.
Não é, pois, de estranhar que a mulher seja oprimida desde a origem do ser
humano. Se é assim na vida social e cultural, também o é na religião. Convém
salientar que religião é um conjunto de crenças, devoções e fé em alguma
coisa que une fortemente as pessoas que a praticam em comunidade.
A religião imiscui-se na globalidade das relações humanas, designadamente em
relação ao comportamento sexual, à alimentação, ao papel dos homens, das
mulheres e das crianças, e pode ser usada para muitos fins, entre os quais a
opressão e a discriminação das pessoas com base na raça? sexo, ideologia,
etc. Mais de 3% da população mundial pertence a uma religião, que liga as
pessoas entre si, levando-as a explorar o corpo e a mente humana (p.ex:
budismo, jainismo) e as relações de uns com os outros e com o Criador
(judaísmo, cristianismo e islamismo). .
Para nós cristãos, que temos uma costela judaica o papel da mulher passou
por vários estádios até aos dias de hoje. No tempo de Jesus, homem e mulher
rezavam separados e estas só tinham acesso até ao segundo pátio do Templo de
Jerusalém. Nas sinagogas, havia uma divisória entre os bancos dos homens e
os das mulheres. Estas, quando presentes, para além de não poderem explicar
as escrituras, - não contavam para efeitos da formação do minyan (número
mínimo de l0 pessoas para se começar a rezar). A mulher estava votada aos
cuidados do lar e à educação dos. filhos, sendo que a tradição judaica era
passada de mãe para filho. Os homens quando rezavam davam graças a Deus por
não terem nascidos escravos nem mulheres.
Talvez tivesse sido essa a razão de não constar nenhuma mulher no grupo dos
12 apóstolos escolhidos por Jesus, embora houvesse muitas mulheres nos seus
discípulos. Contudo, a mulher tem no cristianismo um papel profundo. Por
exemplo, Maria tomou possível o nascimento do Redentor e esteve sempre ao
seu lado, nomeadamente no momento da sua iniciação pública e no da sua
morte. Ao longo da sua vida, Jesus foi cuidado por algumas mulheres e foram
elas que o acompanharam na crucifixão. Foram também as mulheres que
descobriram o túmulo vazio e foi perante elas a primeira aparição.
Repare-se, que sobre a ressurreição de Jesus, raiz da fé dos cristãos, o
pouco que se sabe é pelo testemunho de mulheres.
Também nas comunidades cristãs primitivas as mulheres desempenharam papeis
importantes. S. Paulo, nas suas epístolas, refere-se a mulheres, ás quais
muito ficou a dever, que desempenharam os mais diversos papeis, desde
profetas, diaconisas, apóstolas, colaboradoras e protectoras.
Jesus deixou-nos o baptismo e a eucaristia. Pelo primeiro, somos aceites na
comunidade cristã, abrindo-se uma vida nova, operando com a mesma eficácia
para o homem e para a mulher, e, pelo segundo, somos convidados a praticar o
memorial de Cristo, em união com o seu Corpo e Sangue, para quem não há
diferença entre o grego e o judeu, o escravo e o homem livre, o homem e a
mulher.
Deus distribui as suas bênçãos e os seus dons igualmente por todos. Se não
os praticamos em igualdade de circunstâncias, independentemente do sexo,
como instrumento de amor e de paz, deve-se apenas às circunstâncias do lugar
e tempo onde vivemos, que limitam e cerceiam a liberdade de pensar, de
exprimir e de agir
LEITURA DA BÍBLIA PELA MULHER
Ana Flora Anderson
Quase todas as pessoas acreditam que a Bíblia é
a história de um povo. Neste povo, há homens e mulheres, crianças e adultos,
gente simples e gente instruída. A Bíblia conta como este povo viveu, como
se encontrou com o Deus Vivo e aprendeu que Deus é "Pai" e todos os seus
filhos e filhas são iguais.
Mas, na hora de escrever estas histórias, o
texto foi formado por homens, adultos e instruídos. Poucos textos foram
escritos por mulheres, e nenhum pelas crianças e pessoas mais simples. Mesmo
tendo muita boa vontade, os autores, freqüentemente, enfatizaram somente o
papel dos homens. Eles contaram a história de todo o povo a partir de sua
expectativa.
Hoje em dia, no mundo inteiro, há milhares de
mulheres, judias, protestantes e católicas —formadas nas ciências bíblicas—
que procuram fazer uma leitura no contexto de todo o povo. Elas enfatizam os
papéis das mulheres e de outros marginalizados; elas criticam a mentalidade
patriarcal que forçosamente vê quem não é homem como sendo personagem
secundária e dependente.
Paulo Freire nos mostrou que muitos pobres
aceitam a visão da sociedade das elites dominantes, Eles só podem ser livres
quando se conscientizam que há outras ideologias e outras alternativas
sociais. Muitas mulheres sofrem da mesma realidade. A visão patriarcal da
religião é tão universal que elas acreditam que Deus —um puro espírito sem
gênero— é masculino! E que este Deus sempre escolheu homens como profetas,
sacerdotes e reis porque os homens são melhores ou mais fortes moralmente
que as mulheres!
Ler a Bíblia na ótica da mulher significa
procurar o que cada texto fala às mulheres de hoje. Há uma perspectiva da
mulher em qualquer assunto que surge nos textos. Um texto mostrará a
importância da mulher na história do povo —como as parteiras do Livro do
Êxodo— , e um outro mostrará o preconceito patriarcal em relação às mulheres
—como a filha de Jefté que é oferecida como um sacrifício humano.
As mulheres aprendem a examinar as leituras
feitas na ótica patriarcal e a impugnar qualquer interpretação distorcida
pelo machismo. A interpretação tradicional da Bíblia sempre foi masculina
pois o masculino era tido como universal. Hoje, essa leitura ideológica
incomoda muitas mulheres e homens nas sinagogas e nas igrejas.
As biblistas feministas, em geral, são
multidisciplinares em sua abordagem do texto bíblico. Elas trabalham com a
análise literária, a antropologia, a sociologia, a lingüística, a filosofia
e a psicologia. A interligação de todos estes campos de estudo permite
penetrar o texto em seu contexto de povo de Deus num mundo abrangente.
Esta leitura é importante para todas as
religiões. Há cientistas sociais que afirmam que a opressão patriarcal é a
mais profunda e a mais abrangente das opressões. E a religião é a mais
importante formadora e mantenedora dos papéis da mulher, ou como igual, ou
como subordinada na sociedade. O papel da religião deve ser a articulação da
fé de tal maneira que ela promova a mutualidade e a igualdade.
Eu gostaria de terminar com um caso de
esperança. Um menino católico, angustiado, perguntou ao tio padre: "Por que
a gente faz o sinal da cruz "em nome do Pai, e do Filho..." Cadê a Mãe?" Se
mesmo meninos, estudantes do primeiro grau, sentem que faltam expressões
religiosas femininas, chegou mesmo a hora de uma visão feminista da Bíblia!
A Lição do Jardim
Ao ler a história teológica da criação do mundo
[ Gênesis 1 – 3 ] percebe-se que há um refrão que chama a atenção :
Deus viu que isto era bom ! No ponto alto da narrativa, Deus
proclama : Façamos o ser humano à nossa imagem, segundo a nossa
semelhança.....e Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o
criou; Deus o criou macho e fêmea. Deus os abençoou .... e viu tudo o que
havia feito. Eis que era muito bom ! [ Gênesis 1, 26.27.31 ] .
Sem dúvida, a visão teológica das origens do
mundo é positiva. Tudo que foi criado é bom. Gênesis 1 é um
verdadeiro evangelho, uma Boa-Nova. Na raiz da história do mundo e dos seres
humanos está o Deus da Vida que comunica sua bondade. Não devemos ter medo :
o ato da criação nos liberta da superstição, do medo e dos ídolos . O mundo
não depende de forças ocultas que deveríamos adorar e venerar. O mundo
depende diretamente do Deus Vivo. A criação vem de Deus, e é uma relação com
esse Deus que é Bom e que comunica sua bondade. No centro dessa criação está
o casal humano : o centro e o sujeito da história.
O nome de Adão vem da palavra hebraica terra
[ adamah ]. E a raiz do nome Eva vem da palavra que significa vida.
Os primeiros seres humanos vêm da terra e são cheios de vida.
Gênesis 2 apresenta uma família camponesa. Os
seus membros vivem do campo, da terra – adamah - . A célula básica
desta sociedade é a CASA , a família em um sentido amplo.
É o lugar onde o ser humano se realiza como
Mulher e como Homem.
Gênesis 2, 23 contém a grande proclamação sobre
a dignidade da mulher nesta CASA camponesa. A mulher é a companheira que se
encontra frente ao homem, com o qual partilha uma igualdade profunda, e
assegura o trabalho da CASA e a continuidade da VIDA.
Então o homem exclama
Esta sim é osso dos meus ossos
E carne da minha carne !
Ela será chamada mulher [ hebraico : ishá ] ,
Porque foi tirada do homem [ hebraico : ish ] .
Em hebraico, adam é o homem ligado à
terra. Ish significa o homem livre. A mulher, ishá , é tão
livre quanto o homem. Este grito de Adão [ Gênesis 2, 23 ] exprime, ao mesmo
tempo, a bondade e o relacionamento íntimo e profundo que existe entre o
Homem e a Mulher.
Este cântico proclama a dignidade da vida humana
e exprime a harmonia e a igualdade que existe entre a mulher e o homem.
Diante desta reflexão devemos nos perguntar : O
que aconteceu para mudar esta situação? Por que tantos outros textos
apresentarão uma visão da mulher na perspectiva da desigualdade e da
subordinação ?
Estudo mostra o papel da
mulher na religião
Vivian Cristina Pereira
A historiadora e teóloga
Claudete Ribeiro de Araújo escolheu a mulher e a religião como temas de sua
tese de doutorado realizada na Umesp. Na pesquisa “As mulheres e as práticas
religiosas na História: um desafio para os estudos de Ciências da Religião”,
ela observou que as mulheres não são vítimas e têm autonomia de duas
escolhas, mesmo que essas escolhas sejam limitadas pela sociedade. Além
disso, a experiência religiosa é extremamente importante em suas vidas. Não
existe diferença entre religião, política, economia. Está tudo ligado por
onde circulam.
A pesquisa, financiada pela
Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), tem
como objetivo estudar a história das mulheres nas igrejas de São Paulo a
partir da década de 40. “Todas as igrejas em São Paulo só existem por causa
das mulheres”, afirma Claudete, “elas organizaram as igrejas, foram
missionárias, catequistas e tiveram um papel extremamente importante”. O
estudo resgata as histórias de vida das mulheres que viveram naquela época e
suas experiências religiosas.
Entre as décadas de 40 e 60,
os papéis de homens e mulheres na sociedade eram bem definidos, mas elas
deram um significado às suas vidas e conquistaram o espaço social por meio
da prática religiosa. A autora da pesquisa conta que embora os homens fossem
líderes nas igrejas, eram as mulheres que realizavam os trabalhos.
“Sempre fui muito sensível à
questão das mulheres na sociedade”, diz Claudete, “uma vez que elas não
estão no mesmo espaço de poder e não têm as mesmas possibilidades que os
homens”. Após ter realizado pesquisas tratando da história das mulheres no
Brasil do século 16 ao 18, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal,
Claudete ficou curiosa para saber como ficou a situação quando o Brasil
deixou de ser colônia. “Decidi estudar o século 20 porque me possibilita a
pesquisa oral”, explica.
A pesquisadora selecionou
mulheres ligadas a grupos e associações religiosas para serem entrevistadas.
Uma dessas associações é a Filhas de Maria, um movimento em torno do
comportamento da mulher. As associadas a esse grupo não podem ultrapassar os
limites da moral cristã, ou seja, devem ser solteiras, virgens, não podem
freqüentar bailes, nem usar maquiagens. Documentações como os jornais da
época (O Estado de S. Paulo, Gazeta), jornais ligados às instituições
religiosas e documentos sobre o que acontecia no período em questão também
são fontes para o estudo.
De acordo com Claudete, os
depoimentos das histórias de vida reforçam a documentação escrita e trazem
um outro olhar sobre a época, que nem sempre os jornais e as revistas
mostram. Claudete diz que muitas crenças que ela tinha foram desmontadas
depois dos depoimentos: “Quis fazer um caminho diferente. Não iniciei a
pesquisa com resultados para provar. As mulheres me mostraram o oposto do
que estava escrito”.
ESQUEMA GERAL
-
Antropologia: sociedade matriarcal e sociedade patriarcal
-
Nome: MATRIMÔNIO x PATRIMÔNIO
-
A
mulher é dona da vida por isso é respeitada
-
O
homem descobre sua participação no processo de geração da vida
-
Na
idade média o homem diz que a mulher não é necessária para a geração da
vida. Ela é apenas um ninho. A Mulher não vale nada
-
O
papel da mulher na Bíblia *****
-
Mulher: um ser impuro*****
-
O
nome de Afão e Eva (Adamah = terra / Eva = vida) não há vida sem a mulher
-
E
as mulheres na Bíblia: A Bíblia não é machista. Os homens que a escreveu
eram. Poucos textos foram escritos por mulheres e nenhum por crianças.
Logo, eles freqüentemente enfatizaram o papel dos homens. Contaram a
partir de sua perspectiva. A tal ponto de transformar o próprio Deus em
masculino.
Eva (Gn)
Sara (Gn 17,15)
Parteiras do Êxodo (Ex 1,17)
Raab (
Débora (Jz 4,4)
Ester ( Es)
Judite (Jd)
Ruth (Rt)
Maria Madalena
Isabel
Hulda (2Rs 22,14)
Vasti (Rainha antes de Ester)
Febe (Rm 16,1)
Lídia (At 16,14)
Priscila (At 18,2)
Maria
A MULHER E A RELIGIÃO
ISLAMISMO
Capítulo IV. Versículo 11 - "Dai aos varões o dobro do que dai às
mulheres".
Capítulo IV. Versículo 38 - "Os homens são superiores às mulheres,
porque Deus lhes outorgou a primazia sobre elas. Os maridos que sofrerem
desobediências de suas esposas, podem castigá-las: deixá-las sós em seus
leitos, e até bater nelas".
Capítulo XXIV. Versículo 59 - (...) "Não se legou ao homem
calamidade alguma maior do que a mulher" (ALCORÃO apud LOI, 1988, p. 17-18).
HINDUISMO
No ano de 1280 antes de Cristo, as Leis de Manu,
livro sagrado da Índia para instituições civis e religiosas, dizia:
Livro II. Regra no 213 - "Está na natureza do sexo feminino tentar
corromper os homens na Terra, e por esta razão os sábios jamais se abandonam
às seduções das mulheres".
Livro V. Regra no 148 - "Durante a infância, uma mulher deve
depender de seu pai; durante a juventude, de seu marido; se este morrer, de
seus filhos; se não tiver filhos, dos parentes mais próximos do marido e, na
sua falta, dos de seu pai; se não tiver parentes paternos, do seu soberano;
uma mulher não deverá nunca governar-se ao seu bel-prazer".
Regra no 154 - "Mesmo que a conduta do marido seja
censurável, mesmo que este se dê a outros amores e careça de boas
qualidades, deve a mulher virtuosa reverenciá-lo como a um Deus".
Regra no 156 - "Uma mulher virtuosa que deseje para si
a mesma morada de felicidade de seu marido, não deve fazer nada que possa
desagradá-lo, durante a sua vida ou após a sua morte".
Livro IX. Regra no 5 - "Acima de tudo, deve-se resguardar as
mulheres das más inclinações, por pequenas que sejam; se as mulheres não
fossem vigiadas, fariam a desgraça de duas famílias" (LEIS DE MANU apud LOI,
1988, p. 3-4).
Um código bramanista, ainda citado por Isidoro LOI, relata:
"Não há na Terra outro Deus para a mulher do que seu marido. A
melhor das boas obras que ela pode fazer é agradá-lo: esta deve ser sua
única devoção. Quando morrer deve também morrer".
ZARATRUSTA
O reformador da religião persa, Zaratustra,
dizia que a mulher "deve adorar ao homem como à divindade. Nove vezes
pela manhã, de pé ante o marido, com os braços cruzados, deve perguntar-lhe:
Que desejais, meu senhor, que faça?" (ZARATUSTRA apud LOI, 1988, p. 9).
BUDA
Também Buda, o Iluminado, fundador do budismo,
dizia que: "A mulher é má. Cada vez que se lhe apresente oportunidade,
toda mulher pecará" (BUDA apud LOI, 1988, p. 9).
LUTERO
O teólogo alemão Martinho Lutero (1483-1546),
responsável pela Reforma Protestante, dizia que: "Não há manto nem saia
que pior assente à mulher ou donzela que o querer ser sábia" (LUTERO
apud LOI, 1988, p. 26).
HENRIQUE VIII
Também Henrique VIII (1491-1547), rei da
Inglaterra e Chefe da Igreja Anglicana, criada por ele mesmo por desejar
separar-se de Catarina de Aragão e desposar Ana Bolena, com o que o Papa não
concordava, assim criava seu Estatuto: "As mulheres casadas, as crianças,
os idiotas e os lunáticos não podem legar suas propriedades" (HENRIQUE
VIII apud LOI, 1988, p. 26).
De uma forma geral as religiões colocam a mulher
em situação de submissão, mas para não estender por demasia o presente
trabalho, a análise está limitada às questões relativas à moral
judaico-cristã, com base ainda nos mitos babilônicos. Desde os Mandamentos,
onde consta que não se deve "desejar a mulher do próximo" e não o homem da
próxima, a Bíblia esta carregada de conceitos e "pré-conceitos" sobre as
mulheres. Seguem alguns exemplos, que pó deriam ser mais numerosos, para
ilustrar o que está sendo dito:
JUDAÍSMO
(Deus) "De novo perguntou ele: 'Quem te
deu a conhecer que estavas nu? Comeste acaso da árvore da qual te ordenara
que não comesses?' Respondeu o homem: 'A mulher que me deste por companheira
foi quem me deu da árvore, e eu comi'.
E a mulher Ele disse: 'Tornarei penosa a tua gravidez, e entre penas
darás à luz teus filhos. Contudo sentir-te-ás atraída para teu marido, mas
este te dominará.'
E ao homem Ele disse: 'Porque escutaste a voz de tua mulher, e
comeste o fruto da árvore da qual te ordenara: 'Não podes dela comer':
Maldita seja a terra por tua causa!'" (BÍBLIA. V.T. Gênese III, 11-17)
"O Decálogo. X Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçaras a
mulher do teu próximo, nem seu servo, nem sua serva, nem seu boi, nem seu
jumento, nem coisa alguma que lhe pertença". (BÍBLIA. V.T. Êxodo XX, 17)
"A purificação das parturientes. Javé falou a Moisés, dizendo: 'Fala
aos filhos de Israel e dizendo-lhes: quando uma mulher conceber e der à luz
um menino, ela ficará impura durante sete dias; ficará impura como nos dias
de sua menstruação. No oitavo dia o menino será circuncidado; mas ela ficará
ainda em casa durante trinta e três dias com o sangue da purificação; não
tocará nenhuma coisa santa e não irá ao santuário, até que os dias de sua
purificação se cumpram. Se der à luz uma menina, ficará impura durante duas
semanas, como nos dias de sua menstruação, e ficará em casa durante sessenta
e seis dias com o sangue da purificação'". (BÍBLIA. V.T. Levítico XII, 1-5)
"As impurezas sexuais da mulher. Quando uma mulher tiver seu fluxo,
um fluxo de sangue no corpo, ela ficará impura durante sete dias. Todo o que
a tocar ficará impuro até a tarde. Todo móvel sobre o qual ela se deitar
durante sua impureza e todo objeto sobre o qual ela se sentar ficará impuro.
Todo o que lhe tocar o leito lavara suas vestes, banhar-se-á na água e
ficará impuro até a tarde. Todo o que tocar um móvel sobre o qual ela se
tiver assentado lavará as vestes, banhar-se-á na água e ficará impuro até a
tarde. Se houver um objeto sobre o leito ou sobre a cadeira na qual ela se
sentou, aquele que o tocar ficará impuro até a tarde. Se um homem se
aproximar dela e a impureza dela passar a ele, ficará impuro durante sete
dias, e todo o leito sobre o qual ele se deitar ficará impuro". (BÍBLIA.
V.T. Levítico XV, 19-24)
"Oferendas votivas, primogênitos e dízimos. E Javé falou a Moisés,
dizendo: 'Fala aos filhos de Israel: se alguém consagrar, por votos, alguma
pessoa a Javé, eis o que será a tua avaliação: por um homem, entre vinte e
sessenta anos, tua avaliação será de cinqüenta siclos de prata, segundo o
siclo do santuário; por uma mulher tua avaliação será de trinta siclos. De
cinco anos a vinte anos, tua avaliação será de vinte siclos por um rapaz e
de dez siclos por uma moça. De um mês a cinco anos, tua avaliação será de
cinco siclos de prata por um menino. Por uma menina, tua avaliação será de
três siclos de prata. De sessenta anos e acima disto, tua avaliação será de
quinze siclos por um homem e de dez siclos por uma mulher'". (BÍBLIA. V.T.
Levítico XXVII, 1-7)
"O divórcio. Quando um homem tomar em casamento uma mulher e
consumar a sua união com ela, e ela não encontrar favor aos seus olhos, por
que ele nela descobrir algo de repugnante, ele escreverá para ela um ato de
divórcio e, depois de lho entregar, mandá-la-á embora. Tendo saído da sua
casa, se acontecer que se torne mulher de outro homem, e este último marido,
pondo-se a detestá-la, escrever para ela um ato de divórcio e, depois lho
entregar, mandá-la embora ou se morrer esse marido, o primeiro marido, que a
tiver mandado embora, não poderá retomá-la por mulher depois que tiver sido
manchada, porque isso seria abominável a Javé, teu Deus, te dá por herança".
(BÍBLIA. V.T. Deuteronômio XXIV, 1-4)
"Deus fez o homem reto. Apliquei-me em explorar e sondar a sabedoria
e a razão das coisas, e reconheci que a maldade é estulta e má conduta é
insensata! Descobri que a mulher é mais amarga que a morte, porque ela é um
laço, seu coração uma rede e seus braços são liames; quem é bom aos olhos de
Deus foge dela, mas o pecador será sua presa". (BÍBLIA. V.T. Eclesiastes
VII, 25-26)
CRISTIANISMO
"O homem não deve cobrir a cabeça: porque ele é
a imagem e o reflexo de Deus; a mulher, no entanto, é o reflexo do homem.
Porque o homem não foi tirado da mulher, mas a mulher do homem. Nem o homem
foi criado para a mulher, mas a mulher para o homem. Por isso a mulher deve
usar na cabeça o sinal de sua dependência, por causa dos anjos". (BÍBLIA.
N.T. I Coríntios XI, 7-10)
"Como em todas as Igrejas dos santos, fiquem as mulheres caladas nas
assembléias, porque não é permitido que tomem a palavra. Mas fiquem
submissas como ordena a lei. E quando quiserem se instruir sobre alguma
questão, perguntem a seus maridos em casa. É inconveniente para a mulher
falar na assembléia". (BÍBLIA. N.T. I Coríntios XIV, 34-35)
"Os esposos, Santidade do lar. As mulheres sejam submissas aos seus
maridos, como ao Senhor, porque o marido é cabeça da mulher, como Cristo é
cabeça da Igreja, ele, o salvador do Corpo. Como a Igreja está sujeita a
Cristo, assim as mulheres estejam sujeitas em tudo a seus maridos". (BÍBLIA.
N.T. Efésios V, 22-24)
O escritor cristão Quinto Septímio Florente Tertuliano (155-220)
assim pensava sobre as mulheres:
"Mulher, deverias andar vestida de luto e farrapos, apresentando-te
como uma penitente, mergulhada em lágrimas, redimindo assim a falta de ter
perdido ao gênero humano. Mulher, tu és a porta do inferno, foste tu que
rompeste os selos da árvore proibida, tu a primeira a violar a lei divina, a
corromper aquele a quem o diabo não ousava atacar de frente; tu foste a
causa da morte de Jesus Cristo" (TERTULIANO apud LOI, 1988, 16; LADEIRA,
LEITE, 1993, p. 27).
O Patriarca de Constantinopla, São João Crisóstomo (340-407),
afirmava que "em meio a todos os animais selvagens não se encontra nenhum
mais nocivo do que a mulher" (CRISÓSTOMO apud BEAUVOIR, 1961, p. 118).
O monge Marborde, de Angers, na França, no
século XI, assim se referia às mulheres:
"Dentre as incontáveis armadilhas que nosso inimigo ardiloso armou
através de todas as colinas e planícies do mundo, a pior é aquela que quase
ninguém pode evitar: é a mulher, funesta cepa de desgraça, muda de todos os
vícios, que engendrou no mundo inteiro os mais numerosos escândalos" (MARBORDE
apud LADEIRA, LEITE, 1993, p. 27).
O monge Bernard de Morlas, da Abadia de Cluny, também na França do
século XII, dizia que "toda mulher se regozija de pensar no pecado e de
vivê-lo" (MORLAS apud LADEIRA, LEITE, 1993, p. 27).
O teólogo italiano São Tomás de Aquino
(1225-1274) desta forma referia-se à condição feminina:
"Para a boa ordem da família humana, uns terão que ser governados
por outros mais sábios que aqueles; daí a mulher, mais fraca quanto ao vigor
da alma e da força corporal, estar sujeita por natureza ao homem, em quem a
razão predomina. O pai tem de ser mais amado que a mãe e merece maior
respeito porque sua participação na concepção é ativa e a da mãe
simplesmente passiva e material" (AQUINO apud LOI, 1988, p. 22).
OUTROS AUTORES
Na introdução do livro "O martelo das feiticeiras", Rose Marie
Muraro, proeminente feminista brasileira, lembra-nos que um mitólogo
americano dividiu em quatro grupos todos os mitos conhecidos, assim
descritos pela autora do texto:
"Na primeira etapa, o mundo é criado por uma deusa mãe sem auxílio
de ninguém. Na segunda, ele é criado por um deus andrógino ou um casal
criador. Na terceira, um deus macho ou toma o poder da deusa ou cria o mundo
sobre o corpo da deusa primordial. Finalmente, na quarta etapa, um deus
macho cria o mundo sozinho" (MURARO, 1991, p. 8).
Pode-se notar que há uma transposição do valor da fêmea, enquanto
Deusa, para o valor do macho, enquanto Deus. Há uma passagem do mito grego
de Géia, a criadora primária, para os mitos religiosos atuais, onde o macho
torna-se criador do mundo.
Também Simone de Beauvoir analisa esta
transposição mítica do feminino para o masculino, lembrando-nos das
divindades femininas, da Grande Deusa, da Grande Mãe, que "reina sobre
toda a Egeida, a Frígia, a Síria, a Anatólia e sobre toda a Ásia Ocidental".
Na Babilônia chama-se Ichtar, Astarté entre os semíticos, entre os gregos
Réia, Géia ou Cibele e no Egito sob os traços de Ísis; as divindades
masculinas são-lhes subordinadas (BEAUVOIR, 1961, p. 90).
Confirmando a cronologia proposta por
Muraro, Beauvoir anota que depois dos mitos primordiais de criação da vida
vieram os andróginos, relacionados à natureza: sol e lua, rio e mar, céu e
terra, etc. Depois disso o processo de evolução fez com que os mitos
femininos abdicassem de seu poder ou, posteriormente, de sua igualdade para
a supremacia dos mitos masculinos de criação.
Nas sociedades indígenas brasileiras, antes da penetração dos
missionários, os mitos eram tipicamente masculinos e femininos, sem uma
relação de supremacia ou poder. Na mitologia Kayapó, por exemplo, os mitos
guerreiros, caçadores, inimigos, gigantes e monstros são masculinos. Mas o
mito mais contado e mais apreciado é o mito da "Origem das Plantas
Cultivadas", mito feminino, que foi trazido
"por uma estrela do céu que além de muito bonita ensinou os índios a
cultivar a roça, a plantar mandioca e batata doce, (...) estabelecendo uma
relação entre a mulher e a agricultura, a atividade mais importante na
sociedade Kayapó" (VIDAL, 1990, p. 83).
Finalmente o historiador Andrée Michel nos diz que:
"O último passo foi dado com a criação do Deus onipotente das
grandes religiões patriarcais (o Deus dos judeus, dos cristãos e dos
muçulmanos). Se o cristianismo e o Islã foram no início responsáveis por uma
melhoria das condições das mulheres, a repressão estava em germe nessas três
religiões que faziam das mulheres seres humanos de segunda classe, indignos
de exercer as funções sacerdotais em conseqüência de seu sexo. O
desenvolvimento de uma casta de sacerdotes, cujo ensino se baseou na
superioridade dos machos e no desprezo pelas mulheres, consagrou essa
repressão, cujo apogeu foi atingido no Ocidente com a Inquisição" (MICHEL,
1982, p. 22-23).
Modernamente, dos arquétipos femininos, talvez os que melhor definam
a contradição de comportamento da mulher sejam exatamente os mitos
religiosos de Eva e de Maria. A inclusão do mito de Lilith é uma maneira de
resgatar o que a religião escondeu; o arquétipo da mulher crítica e
libertária, com desejos de igualdade.
Há de se lamentar, por fim, o nosso desconhecimento do conteúdo do
Evangelho de Maria Madalena. Mesmo compreendendo as razoes deste texto não
ser divulgado entre nós, um relato feminino talvez trouxesse um fio de
novidade em toda essa história. Seria a visão feminina de quem supostamente
teve uma vida muito próxima a Jesus. Aliás é inclusive perfeitamente viável
que toda esta valorização de Jesus, como filho de Deus, tenha começado
exatamente com Maria Madalena, uma mulher. Apesar de Madalena ter vivido
mais próxima de Jesus, os quatro Evangelhos divulgados foram escritos por
homens: João, Matheus, Lucas e Marcos.
COMPLEXO DE CINDERELA
A escritora Collete Dowling, em sua obra
"Complexo de Cinderela", diz que a sexualidade da mulher é tão castrada que
ela precisa da desculpa do amor para sentir prazer com o outro. Não basta,
portanto, para a mulher, o simples desejo. O prazer da mulher esta
intimamente relacionado a um sentimento inexplicável como o amor.
AS GRANDES MULHERES NA
BÍBLIA
Há uma Bíblia exterior –
uma história de homens e mulheres, de guerras e maravilhas. E há uma Bíblia
interior, segundo as antigas tradições, na qual cada palavra revela a
sabedoria, beleza e luz.
No exterior, as mulheres da Torá parecem desempenhar apenas um papel
secundário num drama dominado pelos homens. Do interior emerge uma história
de homens manipulados por mulheres potentes e nutridas por valores
femininos. Uma história que revela a qualidade interior da feminilidade que
transcende as mentes dos homens.
Este é o segredo das palavras da sabedoria de Salomão. "Uma mulher de valor
é a coroa de seu marido." Assim como uma coroa está acima da cabeça e além
dela, assim também a luz interior da feminilidade tem uma qualidade
essencial, de um lugar que a mente não consegue atingir.
1 – Chava (Eva)
"Então Adam chamou sua mulher Chava, pois ela era a mãe de toda a vida" (Bereshit
3:20)
Ela foi o outro lado da imagem de D’us. Pois D’us não é apenas uma luz
infinita, além de todas as coisas. D’us é algo que está aqui agora, em todas
as coisas, dando-lhes vida, sendo o que quer que estejam sendo. Em sua fonte
acima, ela é "a Shechiná" – a Presença Divina que Habita no Interior.
Isso foi o que levou a Chava terrena a comer o fruto: esta ânsia para estar
no interior, de experimentar o sabor da vida, de estar imersa nela. Com isso
ela transgrediu – levou-se do âmbito do Divino a um mundo onde tudo que é
real é o aqui e agora, onde não há um ponto de vantagem a partir do qual
discernir o bem do mal, nenhuma luz para discernir o fruto de sua casca. E
ela levou consigo a Shechiná e também aprisionou-a, e a partir daí o cosmos
virou um caos.
Porém o desejo por trás de sua transgressão era a sagrada ânsia da Shechiná
de permear tudo. E no final, ela conseguirá, e a vida interior também será
Divina.
Desde que o drama deste universo permaneça incompleto, a Shechiná fica em
silêncio, ela não canta. Vemos o mundo que ela vitaliza, mas não ouvimos sua
voz dentro dele. Na mente de todas as pessoas, Ela desempenha um papel
secundário – pois seu marido conquista e subjuga, ao passo que ela, dizem
eles, apenas provê vida e sustento. Assim é a inclinação de um mundo
imaturo.
Há um tempo ainda a chegar, quando o segredo da Luz Interior será revelado.
Então a Mãe da Vida cantará em voz alta, sem limites.
2 – Sarah
"Tudo aquilo que Sarah te disser" – disse D’us a Avraham – "escuta a ela." (Bereshit
21:12)
A primeira a cicatrizar a ferida que Eva provocou foi Sarah. Ela desceu ao
covil da serpente, ao palácio do faraó. Ela resistiu à sua sedução e
reergueu-se. Enquanto viveu, permaneceu conectada ao Acima.
Foi Avraham quem possibilitou que Sarah o fizesse. Apesar disso, o próprio
Avraham não era capaz disso. Este é o papel do homem – ativar o poder que
jaz adormecido numa mulher. Sem uma mulher, um homem não tem vínculo com a
Shechiná. Sem um homem, a mulher não pode conectar-se a Shechiná. Se houver
um homem, a mulher torna-se todas as coisas.
Sarah é a personificação do poder cósmico de purificação e cura das almas.
Aquilo que Chava confundiu e misturou tudo, Sarah filtra e refina; onde
Chava entrou nas trevas, Sarah acende a luz. Sua obra continua em todas as
gerações: assim como a alma de Avraham atrai almas e as mantém perto da Luz
infinita, a alma de Sarah discerne as manchas que devem ser limpas e o
detrito que deve ser rejeitado. Quando uma alma ou centelha de luz é curada
e volta à sua fonte, você saberá que o toque de Sarah esteve ali.
3 – Rivca (Rebeca)
"Beba… e também tirarei água para saciar a sede de seus camelos" (Bereshit
24:17-18)
Com estas palavras, Rivca comprometeu-se com Yitschac e ascendeu para
tornar-se a mãe de duas grandes nações. Não pelo seu ato de dar, mas por sua
firmeza, porque ela buscava cada oportunidade de fazer o bem, procurando-a
com alegria e prazer, com todo seu ser e toda sua alma.
E ela implantou isso em nós como legado. Precisamos apenas despertá-lo e
encontraremos a Rivca interior.
Há poucas histórias tão detalhadas na Bíblia como a narrativa da união de
Rivca e Yitschac – ela é contada e recontada três vezes. Pois nesse relato
está o nascimento de nosso povo e nosso propósito. Nele jaz o segredo
interior pelo qual todo o cosmos foi criado: a fusão dos opostos, o paradoxo
e beleza da vida. Por causa disso, estamos aqui – para unir céu e terra. E
na união do homem e da mulher encontram-se todos esses.
E quem é o casamenteiro neste drama cósmico? É o servo simples de Avraham,
que fala ao Mestre do universo da sinceridade de seu coração, que está
obcecado com sua missão e se deleita a cada passo dela. É todo e cada um de
nós.
4 – Rachel e Lea
Uma voz é ouvida, num lamento alto e desesperado.
Rachel chora por seus filhos
Ela se recusa a ser consolada
Pois eles se foram.
"Não deixa tua voz lamentar-se" – D’us diz a ela. "Segura as lágrimas de
teus olhos. Pois tua obra tem sua recompensa, e teus filhos voltarão." (Yirmiyáhu
31:14)
Rachel é a personificação da Shechiná quando Ela desce para cuidar de Seus
filhos, até mesmo fazer a jornada do exílio com eles. E assim ela
certifica-se que eles irão voltar.
Sua irmã, Lea, também é nossa mãe, a Shechiná. Porém ela é o mundo oculto,
transcendente; aquelas coisas ocultas da Mente Divina, profundas demais para
que os homens entendam. Ela é a esfera da Realeza quando Se ergue acima para
receber em meditação silenciosa.
Rachel é o mundo das palavras e ações reveladas. Ela encerrava a beleza que
Yaacov podia perceber e desejar. Mas Lea era elevada demais, muito distante
de todas as coisas, e assim Yaacov não pôde se ligar a ela da mesma maneira.
Mesmo assim, é de Lea que quase toda a nação judaica descende.
5 – Serah
Quando os filhos de Yaacov voltaram para casa com as notícias a respeito de
Yossef, eles temiam que o pai não lhes desse crédito. Então Serah, a filha
de Asher, pegou sua harpa e ficou do lado de fora da tenda de Yaacov. Ela
compôs uma canção sobre Yossef e suas viagens, concluindo cada uma com o
coro: "… e Yossef ainda vive."
"Sim" – seu avô finalmente exclamou – "Yossef ainda vive!"
E então seus filhos puderam falar com ele.
Por causa disso, Yaacov abençoou Serah com vida. Ela ainda estava viva para
mostrar a Moshê onde ficava o túmulo de Yossef. Ela ainda estava viva como
uma mulher sábia que salvou a cidade de Abel nos tempos do Rei David. E ela
ainda vive, pois foi uma das poucas a entrar viva no Gan Éden, Paraíso.
Se a Shechiná é um diamante e cada mulher é uma faceta diferente, então
Serah é a centelha de esperança que reluz em cada um, e emana de seu
interior. A centelha que nunca se separou, que permanece acima e além mesmo
quando a Shechiná que a contém mergulha para baixo. Uma faísca duradoura que
nem todos os rios do exílio não podem afastar, e oceanos de lágrimas não
podem extinguir. Serah vive, ela vive no Paraíso, e portanto o Paraíso vive
dentro de nós.
6 – Miriam
Sua irmã ficou à distância, para saber o que seria feito dele. (Shemot 2:4)
Uma jovem está de pé entre os juncos que abraçam a margem do rio, imóvel e
quieta, observando à distância. Ela é a guardiã da promessa, de tudo aquilo
pelo qual seu povo tinha ansiado, e ela não permitirá que aquela promessa
parta de sua visão.
Seu nome é Miriam e Miriam significa amarga, pois é uma amargura que a
impele, toda a amargura nascida do penoso destino de seu povo. Somente sua
visão pode abrandar aquela dor ardente, e ela sozinha sustenta seu pulsar. É
uma visão poderosa, que transformará o amargo em doce, as trevas do exílio
na imensa luz da liberdade.
Por seu mérito, fomos redimidos da escravidão. E pelo mérito das mulheres de
fé dos dias de hoje, o mundo inteiro será redimido de sua escuridão.
7 – Debora
"Eles cessaram de viver em cidades sem muralhas em Israel, eles cessaram até
que eu, Debora, surgi; eu surgi como uma mãe em Israel" (Shofetim 5:7).
Na sombra pacífica de uma antiga tamareira nas colinas de Ephraim, ali você
encontrará uma mulher sábia, uma profetisa para quem todos de Israel
acorriam em busca de conselho, orientação e esperança.
Ela convocou Barak, um poderoso guerreiro, e instruiu-o a empreender guerra
contra os opressores de seu povo. Mas Barak insistiu em que não iria, a
menos que Debora fosse com ele, e ela zombou dele por causa disso.
Pois Debora não viu grandeza em imitar as qualidades da masculinidade – em
lutar, vencer e conquistar – mas como uma mãe em Israel, como aquela que dá
a vida, nutrindo seu povo com bondade e fé.
8 – Ruth
"Aonde tu fores, eu irei. Onde tu habitares, ali habitarei. Teu povo é meu
povo e teu D’us é meu D’us." (Ruth 1:16)
Ela é o paradigma daquelas almas antigas que descobrem que estão perdidas e
anseiam em voltar para casa. Devem vencer uma jornada montanha acima,
permeada de sacrifícios e desafios ao longo de caminhos tortuosos e até
bizarros, mas apenas porque o pacote é tão precioso e sua entrega tão vital.
Neste caso, foi uma centelha de pura santidade perdida desde Avraham,
destinada a aflorar como o bisneto de Ruth, David, redentor de Israel. E,
muitos milênios depois, como o redentor final.
9 – Batsheva
Existem almas que viajam pela vida numa estrada de veludo, encontrando seu
parceiro e abrigando-se em seu destino como se seguissem um roteiro
organizado, cósmico.
Outros viajam por um labirinto de passagens obscuras, batendo a cabeça
contra as paredes em repetidas decisões falsas, ocasionalmente abrindo uma
outra passagem secreta para o desconhecido.
Segundo a sabedoria antiga, esta é a única maneira pela qual a mais elevada
das almas pode ser comprimida em nosso mundo severamente limitado, onde as
forças das trevas imperam. E assim foi que da união de Batsheva e David, uma
união forjada no escândalo e na desgraça, nasceu um filho, Salomão, para
construir o Templo, um portal para a Luz Infinita em Jerusalém.
10 – Ester
"Então irei até o rei, contrariando o protocolo. E se eu perecer, então
perecerei." (Ester 4:16).
Uma mulher de segredos, de mistério, ocultando sua verdadeira identidade sob
muitas vestes – até que chegou sua hora. Uma mulher como a estrela matutina
– naquele local impossível onde a noite se torna tão escura que nada resta,
exceto revelar a alvorada.
Alguém que ousou entrar nos recessos da câmara do mal, elevando Haman, seu
príncipe, ao pináculo da glória – apenas para que ele fabricasse sua própria
morte.
Quando ela arrancou a máscara e sua luz interior reluziu, a fachada da
sorte, da coincidência e da intriga palaciana se abriu como uma cortina para
revelar maravilhas e milagres nos bastidores. Assim, Ester contém a redenção
final, pois ela aliou milagre com mundano, ela descobriu a luz ilimitada
numa nuvem de escuridão.
Epílogo
Das almas mais elevadas e esclarecidas, muitas tiveram mulheres mais
notáveis que eles próprios, e filhas maiores que os filhos. Assim foi com
Avraham, Yitschac e Yaacov. Assim foi com Rabi Akiva e Rabi Meir. Assim foi
com muitos grandes mestres da Cabalá.
Isso é porque estes grandes homens, em sua vida pessoal, já estavam
vislumbrando o Mundo Vindouro. Naquele tempo, a qualidade da feminilidade se
agigantará sobre o homem.
CARTA APOSTÓLICA
ORDINATIO
SACERDOTALIS
DO PAPA
JOÃO PAULO II
SOBRE A ORDENAÇÃO SACERDOTAL
RESERVADA SOMENTE AOS HOMENS
22 DE MAIO DE 1994
Veneráveis Irmãos no
Episcopado!
1. As ordenações
sacerdotais, pela qual se transmite a missão, que Cristo confiou aos seus
Apóstolos, de ensinar, santificar e governar os fiéis, foi na Igreja
Católica, desde o início e sempre, exclusivamente reservada aos homens. Esta
tradição foi fielmente mantida também pelas Igrejas Orientais.
Quando surgiu a questão da
ordenação das mulheres na Comunhão Anglicana, o Sumo Pontífice Paulo VI, em
nome da sua fidelidade o encargo de salvaguardar a Tradição apostólica, e
também com o objectivo de remover um novo obstáculo criado no caminho para a
unidade dos cristãos, teve o cuidado de recordar aos irmãos anglicanos qual
era a posição da Igreja Católica: "Ela defende que não é admissível ordenar
mulheres para o sacerdócio, por razões verdadeiramente fundamentais. Estas
razões compreendem: o exemplo - registado na Sagrada Escritura - de Cristo,
que escolheu os seus Apóstolos só de entre os homens; a prática constante da
Igreja, que imitou Cristo ao escolher só homens; e o seu magistério vivo, o
qual coerentemente estabeleceu que a exclusão das mulheres do sacerdócio
está em harmonia com o plano de Deus para a sua Igreja" (1).
Mas, dado que também entre
teólogos e em certos ambientes católicos o problema fora posto em discussão,
Paulo VI deu à Congregação para a Doutrina da Fé mandato de expor e ilustrar
a este propósito a doutrina da Igreja. Isso mesmo foi realizado pela
Declaração Inter Insigniores, que o mesmo Sumo Pontífice aprovou e
ordenou publicar (2).
2. A Declaração retoma e
explica as razões fundamentais de tal doutrina, expostas por Paulo VI,
concluindo que a Igreja «não se considera autorizada a admitir as mulheres à
ordenação sacerdotal»(3). A tais razões fundamentais, o mesmo documento
junta outras razões teológicas que ilustram a conveniência daquela
disposição divina, e mostra claramente como o modo de agir de Cristo não
fora ditado por motivos sociológicos ou culturais próprios do seu tempo.
Como sucessivamente precisou o Papa Paulo VI, «a verdadeira razão é que
Cristo, ao dar à Igreja a Sua fundamental constituição, a sua antropologia
teológica, depois sempre seguida pela Tradição da mesma Igreja, assim o
estabeleceu»(4).
Na Carta Apostólica
Mulieris dignitatem, eu mesmo escrevi a este respeito: «Chamando só
homens como seus apóstolos, Cristo agiu de maneira totalmente livre e
soberana. Fez isto com a mesma liberdade com que, em todo o seu
comportamento, pôs em destaque a dignidade e a vocação da mulher, sem se
conformar ao costume dominante e à tradição sancionada também pela
legislação do tempo» (5).
De facto, os Evangelhos e os
Actos dos Apóstolos atestam que este chamamento foi feito segundo o eterno
desígnio de Deus: Cristo escolheu os que Ele quis (cfr Mc 3,13-14; Jo 15,16)
e fê-lo em união com o Pai, «pelo Espírito Santo» (Act 1,2), depois de
passar a noite em oração (cfr Lc 6,12). Portanto, na admissão ao sacerdócio
ministerial (6), a Igreja sempre reconheceu como norma perene o modo de agir
do seu Senhor na escolha dos doze homens que Ele colocou como fundamento da
sua Igreja (cfr Ap 21,14). Eles, na verdade, não receberam apenas uma
função, que poderia depois ser exercida por qualquer membro da Igreja, mas
foram especial e intimamente associados à missão do próprio Verbo encarnado
(cfr Mt 10,1.7-8; 28,16-20; Mc 3,13-16; 16,14-15). O mesmo fizeram os
Apóstolos, quando escolheram os seus colaboradores (7) que lhes sucederiam
no ministério (8). Nessa escolha, estavam incluídos também aqueles que, ao
longo da história da Igreja, haveriam de prosseguir a missão dos Apóstolos
de representar Cristo Senhor e Redentor (9).
3. De resto, o facto de
Maria Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, não ter recebido a missão
própria dos Apóstolos nem o sacerdócio ministerial, mostra claramente que a
não admissão das mulheres à ordenação sacerdotal não pode significar uma sua
menor dignidade nem uma discriminação a seu respeito, mas a observância fiel
de uma disposição que se deve atribuir à sabedoria do Senhor do universo.
A presença e o papel da
mulher na vida e na missão da Igreja, mesmo não estando ligados ao
sacerdócio ministerial, permanecem, no entanto, absolutamente necessários e
insubstituíveis. Como foi sublinhado pela mesma Declaração Inter
Insigniores, "a Santa Madre Igreja auspicia que as mulheres cristãs
tomem plena consciência da grandeza da sua missão: o seu papel será de
capital importância nos dias de hoje, tanto para o renovamento e humanização
da sociedade, quanto para a redescoberta, entre os fiéis, da verdadeira face
da Igreja" (10) Os Livros do Novo Testamento e toda a história da Igreja
mostram amplamente a presença na Igreja de mulheres, verdadeiras discípulas
e testemunhas de Cristo na família e na profissão civil, para além da total
consagração ao serviço de Deus e do Evangelho. "A Igreja defendendo a
dignidade da mulher e a sua vocação, expressou honra e gratidão por aquelas
que - fiéis ao Evangelho - em todo o tempo participaram na missão apostólica
de todo o Povo de Deus. Trata-se de santas mártires, de virgens, de mães de
família, que corajosamente deram testemunho da sua fé e, educando os
próprios filhos no espírito do Evangelho, transmitiram a mesma fé e a
tradição da Igreja" (11)
Por outro lado, é à
santidade dos fiéis que está totalmente ordenada a estrutura hierárquica da
Igreja. Por isso, lembra a Declaração Inter Insigniores, "o único
carisma superior, a que se pode e deve aspirar, é a caridade (cfr 1 Cor
12-13). Os maiores no Reino dos céus não são os ministros, mas os santos"
(12)
4. Embora a doutrina sobre a
ordenação sacerdotal que deve reservar-se somente aos homens, se mantenha na
Tradição constante e universal da Igreja e seja firmemente ensinada pelo
Magistério nos documentos mais recentes, todavia actualmente em diversos
lugares continua-se a retê-la como discutível, ou atribui-se um valor
meramente disciplinar à decisão da Igreja de não admitir as mulheres à
ordenação sacerdotal.
Portanto, para que seja
excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à
própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de
confirmar os irmãos (cfr Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem
absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e
que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da
Igreja.
Invocando sobre vós,
veneráveis Irmãos, e sobre todo o povo cristão, a constante ajuda divina,
concedo a todos a Bênção Apostólica.
Vaticano, 22 de Maio,
Solenidade de Pentecostes, do ano de 1994,
décimo-sexto de Pontificado
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