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Tema: Célula Tronco O argumento contra a utilização de embriões humanos em pesquisa científica, que parte dos católicos, é de que os embriões devem ser considerados como seres humanos, pois a vida começaria no momento da concepção. A opinião, que não é exclusiva de religiosos, encontra repercussão em partidos democrata-cristãos que, na Alemanha, por exemplo, junto com o partido verde formou forte oposição à utilização de verbas públicas da União Européia para a pesquisa com células-tronco embrionárias. Manifesto contra a utilização de embriões humanos em pesquisa ALICE TEIXEIRA FERREIRA e DALTON LUIZ DE PAULA RAMOS (*)
ano 1 - número 4 - JULHO/AGOSTO 2003
Considerando que: 1) Os embriões são seres humanos vivos em constante desenvolvimento, sujeitos distintos da mãe e de seus progenitores, possuidores desde a sua concepção de identidade genética própria e permanente. E que, portanto, igualmente às pessoas nascidas, são dignos de um sincero respeito, independentemente de seu estágio de desenvolvimento, forma ou tamanho, e não merecem o destino de serem utilizados como matéria prima de processos industriais ou serem objetos de investigação científica (como “cobaias”). 2) Setores da indústria biotecnológica internacional e alguns pesquisadores brasileiros estão promovendo uma campanha de opinião a favor da utilização “terapêutica” de células embrionárias humanas a partir da destruição de embriões humanos que “sobram” na fertilização in vitro. 3) A terapia celular por auto-transplante de células-tronco adultas obtidas da medula óssea tem tido sucesso no Brasil no tratamento de pacientes com infartos do miocárdio e com doença de Chagas. E que esta terapia vem sendo realizada desde dezembro de 2001 pelo grupo do Instituto do Milênio de Bioengenharia Tecidual, coordenado pelo Prof. Dr. Ricardo Ribeiro dos Santos. E que o Prof. Dr. Ricardo Pasquini vem utilizando, com sucesso, o transplante de células-tronco do cordão umbilical no tratamento de doenças degenerativas, sem necessidade, portanto, de destruir embriões humanos. E que as células-tronco adultas constituem uma alternativa muito válida às células-tronco embrionárias humanas com vistas à medicina regenerativa e restauradora no século XXI.
Assim sendo, deve ser
promovida: 1) A proteção dos embriões humanos que sobram nos processos de fecundação assistida. O erro cometido por ocasião da produção e do armazenamento dos embriões não justifica, agora, um outro erro: a utilização desse embriões em pesquisas, reduzindo-os ao status de coisas ou objetos e conseqüentemente negando seu significado ontológico, ainda mais quando essas mesmas pesquisas podem se realizar com o uso de células-tronco adultas. 2) A proibição da produção de embriões humanos para a pesquisa ou para a “terapia” tissular heteróloga. Consiste no maior desrespeito à espécie humana se desenvolver um biotério para gerar e conservar embriões humanos para a investigação científica ou um banco de embriões para utilizar suas células totipotententes para transplante heterólogo em doenças degenerativas. Neste último caso, existe a possibilidade de rejeição das células transplantadas. Por outro lado, o desrespeito ao ser humano chega a ponto de existir projetos de pesquisa que propõe misturar as células-tronco de embriões humanos com as provenientes de outros animais (de ratos, por exemplo). 3) A utilização de recursos públicos só na promoção de investigações e terapias que utilizem células-tronco humanas adultas. No Brasil, as agências de fomento à pesquisa utilizam o dinheiro público para financiar as investigações científicas e o contribuinte brasileiro não está sendo consultado sobre a utilização de recursos públicos para pesquisas que levam a destruição de embriões humanos.
Células tronco: nem tudo o
que reluz é ouro 17-10-2004 | Desde o surgimento de Dolly, a ovelha clonada nascida em 1997, e da chegada à reta final do Genoma Humano, que pretendia desvendar nosso código genético, iniciou-se uma batalha entre cientistas e sociedade para determinar até que ponto permitiríamos à Ciência avançar no terreno do mistério da criação da vida. O anúncio de que uma ovelha havia nascido sem a fecundação de um óvulo por um espermatozóide foi o mais sonoro sinal de alerta de que nada seria como antes. Com a questão do uso de células embrionárias para pesquisa e, se tudo correr bem, para o tratamento de diversas doenças, a sirene voltou a disparar: de um lado, os cientistas voltam a prometer avanços estonteantes no tratamento de mazelas até hoje incuráveis acenando com cenários de ficção científica onde é possível restaurar qualquer dano em qualquer órgão do nosso corpo simplesmente injetando células "inteligentes" capazes de se transformar no tipo de célula diferenciada necessário e restabelecer as funções perdidas. De outro, completamente pasma, está a sociedade sem conseguir entender como é que nunca fizeram isso antes se a coisa é tão simples. No meio, a mídia, que ao invés de servir de espaço de debate e reflexão, limita-se a alardear o futuro dourado da terapia celular. Não resisto em fazer um paralelo com o estardalhaço feito quando anunciaram o plano de seqüenciar todo o genoma humano. À época, falava-se em coisas como terapia gênica e a possibilidade de se saber, ainda dentro do útero da mãe, todas as características da criança que estava para nascer, bem como as doenças que a molestariam. Seria possível fazer intervenções preventivas ou até interromper a gestação, dependendo da gravidade da doença. Em um futuro não muito distante, poderíamos fazer bebês mais inteligentes, loiros e de olhos azuis, manipulando o código genético. Embora grande parte dessas promessas continuem, teoricamente, válidas, o término do seqüenciamento foi um grande balde de água fria: sabíamos o que estava escrito no nosso DNA, mas não conseguíamos interpretar o livro, situação que o ex-presidente e escritor José Sarney descreveu dizendo que "o mapa do genoma (...) é como uma enciclopédia triturada no liquidificador". Ficou claro que muita coisa ainda precisava ser compreendida antes que aqueles sonhos de poder total sobre a genética se tornassem realidade, e o futuro acabou sendo adiado. Houve um avanço fenomenal, mas ainda muito distante do quadro propagandeado sobretudo pela imprensa. É preciso ter o cuidado de não nos iludirmos com maravilhosas perspectivas no que se refere aos avanços clínicos hipotéticos com a utilização de embriões humanos – mesmo os que estão "sobrando" nas clínicas de reprodução assistida – para a obtenção das "mágicas" células tronco. As promessas, novamente, são tentadoras, e a terapia celular chega a ganhar jeito de panacéia: poderíamos, por exemplo, reformar o coração de infartados, tornando o transplante desnecessário. Ou então ajudar portadores de doenças genéticas graves como a distrofia muscular de Duchene – que causa perda gradativa da força muscular condenando os afetados a viver em cadeiras de roda aos 12 e à morte antes dos 30 anos – ou recuperar o que doenças degenerativas como o mal de Alzheimer destruíram. No entanto, é preciso ter em mente que essas são apenas possibilidades que talvez não se concretizem. Mesmo que se consiga utilizar as células tronco nesses casos, isso só deve ocorrer daqui a pelo menos uma década. Portanto, não se trata de uma corrida contra o tempo, mas sim de uma escolha para o futuro. Os potenciais benefícios das células tronco não são para a nossa geração, e sim para as próximas. Ao aceitarmos o uso de células de embriões, estamos fazendo uma aposta de que iremos realmente conseguir utilizá-las na terapia, e que seremos capazes de fazê-lo de forma responsável e protegendo um mínimo de dignidade inerente à condição humana de nós mesmos. A decisão, em última análise, é resolver se é válido sacrificarmos uma vida (o embrião), ainda que não desenvolvida, para salvarmos outra. Cabe a nós encontrarmos, dentro dos nossos princípios cristãos, uma resposta para esse dilema.
A verdade sobre as células-tronco
1. O que é um tecido?
2. Que são células-tronco?
3. O que se entende por
"terapia com células-tronco"?
4. Como utilizar as
células-tronco de um embrião humano para esse fim?
5. Só há células-tronco
em embriões humanos?
6. Até hoje tem havido
sucesso no emprego de células-tronco adultas?
7. E quanto às
células-tronco embrionárias?
8. Quantos embriões
humanos congelados existem nas clínicas de reprodução humana espalhadas pelo
Brasil?
9. Se todos esses 30 mil
embriões humanos fossem destruídos, quantas células-tronco poderiam ser
utilizadas?
10. Esse número é grande
ou pequeno?
11. Não seria possível
obter embriões humanos através da clonagem dita "terapêutica"?
12. Qual a diferença
essencial entre a clonagem "reprodutiva" e a clonagem "terapêutica"?
13. Pode-se dizer então
que a clonagem chamada "terapêutica" é pior que a clonagem chamada
"reprodutiva"?
14. Haveria algum
benefício para os doentes com a aprovação do uso de células tronco
embrionárias pelo Congresso Nacional?
15. Se as células-tronco
adultas têm tido tanto sucesso, porque a insistência tão grande em liberar o
uso de células-tronco embrionárias?
Células-tronco, uma pesquisa polêmicaInterprensa – www.interprensa.com.br - Edição 51 - ano V - Outubro 2001 Uma das grandes polêmicas recentes no campo da bioética foi a utilização de embriões humanos para a obtenção de células-tronco, que podem se desenvolver e se transformar em qualquer tecido do organismo. O domínio desta técnica pode trazer muitos benefícios à medicina, mas a destruição de vidas humanas é um custo injustificável. Não haveria outras maneiras de obter as células-tronco para pesquisas? O autor deste ensaio analisa as alternativas às células embionárias e a recente decisão do presidente George W. Bush sobre o financiamento às pesquisas. Em 1998 eram publicados em revistas médicas os primeiros trabalhos sobre células-tronco (stem cells) obtidas de embriões humanos. Três anos depois, elas se converteram em matéria de pronunciamentos de presidentes, objeto de leis, fonte de promessas terapêuticas e motivo para guerra de patentes. A possibilidade de consegui-las a partir de embriões lança o problema ético de utilizar vidas humanas como simples instrumentos. Esta polêmica agita a opinião pública durante o mês de agosto, sobretudo pela transcendental decisão que o presidente norte-americano, George W. Bush, devia tomar sobre o uso de fundos federais nestas pesquisas. Ninguém discute o benefício das pesquisas com células-tronco. Elas podem reproduzir-se indefinidamente em laboratório, e dar lugar a células não apenas de seu próprio tecido, mas também de outros tecidos do corpo humano. Se aprender a controlar seu desenvolvimento, podem ser usadas para consertar tecidos danificados e tratar doenças que, até agora, são incuráveis. O debate é sobre o modo de coletar as células-tronco. Alguns deles não apresentam nenhum problema ético, como as células coletadas no cordão umbilical ou em tecidos adultos, onde substituem células envelhecidas. De fato, descobertas recentes evidenciaram que há células-tronco em mais tecidos adultos do que se imaginava. E também se observou que elas tinham mais versatilidade que o esperado, de modo que foi possível transformar células-tronco de um tecido em células de outros. Clonagem descartada Os outros procedimentos para obter células-tronco exigem a utilização de embriões em seus primeiros estágios de desenvolvimento, o que provoca sua destruição. Poderiam ser embriões excedentes de tratamentos de fertilidade, ou mesmo embriões criados especialmente para a extração das células. É esta instrumentalização do embrião humano que esteve no centro do debate político norte-americano no mês de agosto. A primeira decisão foi a lei aprovada em 31 de julho pela Câmara de Representantes (por 265 a 162) que proíbe qualquer espécie de clonagem humana, tanto com finalidades reprodutivas quanto para obter células-tronco. Algo mais que um punhado de células Os partidários da utilização de embriões (seja por clonagem ou fecundação in vitro) dizem que as células-tronco embrionárias são especialmente versáteis, podendo converter-se em qualquer um dos tecidos do organismo. Se a técnica for dominada, acrescentam, seria possível tratar doenças que hoje não têm cura, como o mal de Parkinson, doenças cardíacas, esclerose múltipla ou vários tipos de câncer. Diante de tantos benefícios, o que importa um embrião, que nada mais é que um amontoado de células? Mas um embrião já é vida humana, respondem os adversários, e a dignidade da vida humana está em que não seja utilizada como meio para outros fins, por melhores que sejam. Se fosse permitido criar embriões para pesquisa, a vida humana se tornaria material negociável. Descartada a clonagem, o debate ficou centralizado na decisão que George W. Bush devia adotar sobre o financiamento federal das pesquisas com células-tronco. Seriam incluídas as feitas a partir de células de embriões congelados? A decisão de Bush Ao anunciar a decisão em 10 de agosto, Bush assinalou os dois caminhos pelos quais o governo federal promoverá as pesquisas com células-tronco. Primeiro, serão financiadas experiências com células obtidas de tecidos adultos e do cordão umbilical. Segundo, haverá recursos para pesquisas com linhagens de células-tronco embrionárias já existentes, mas não para a criação de novas linhagens que impliquem na destruição de embriões. Bush justificou sua postura com as seguintes palavras: "Não seria ético suprimir vidas para a investigação médica, mas é ético que a pesquisa possa se beneficiar quando as decisões de vida e morte já tenham sido tomadas." Bush assegurou que, segundo os dados dos Institutos Nacionais de Saúde, no mundo já foram desenvolvidas mais de 60 linhagens de células-tronco, que são suficientes para impulsionar a pesquisa. Promessas, mas a longo prazo No calor da polêmica, os partidários das experiências com embriões tendem a aumentar as promessas terapêuticas das células-tronco embrionárias, particularmente versáteis. Quase todos os laboratórios farmacêuticos se abstiveram, até agora, de investir neste campo. "Ainda que os investidores digam que a pesquisa com células-tronco parece promissora, foram cautelosos até agora em colocar dinheiro em um campo considerado de risco e cujos benefícios, se vierem, virão a longo prazo", escreve Terence Chea no The Washington Post de 16 de agosto. "As empresas dedicadas às células-tronco são todas pequenas, e ainda passarão anos antes que suas pesquisas dêem lugar a produtos, assim, o potencial comercial de tais pesquisas ainda é incerto." Problemas de patentes De qualquer modo, com a decisão de Bush, o gênio saiu da garrafa e já há quem se anime a formular mais desejos. Em um editorial de 16 de agosto, o The New York Times escreveu que "a decisão presidencial mudou o foco da discussão. Antes, pensava-se sobre a hipótese do financiamento, e hoje a questão é se haverá suficientes células-tronco com as linhagens existentes. (...) Ninguém está seguro sobre quantas células-tronco existem e qual a sua qualidade. (...) Se as possibilidades terapêuticas são tão promissoras como os cientistas esperam, sem dúvida será necessária uma variedade maior de linhagens." Entre os próprios cientistas há discussão sobre a existência no mundo de mais de 60 linhagens de células-tronco, como afirmam os Institutos Nacionais de Saúde, e se nelas há diversidade suficiente para pesquisar os vários usos. Outro aspecto controvertido é se os cientistas terão livre acesso a essas células-tronco ou se tropeçarão em questões de patente. Fontes da Casa Branca e dos Institutos Nacionais de Saúde negociarão com os donos das patentes neste campo para que os pesquisadores tenham acesso às células-tronco necessárias.
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Temas abordados
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