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FANTASMAS E CIÊNCIA 

Fantasmas - Explicação da ciência  

     Richard Wiseman, da Universidade de Hertfordshire, estuda o fenômeno da assombração na Grã-Bretanha. Ele tem estudado lugares considerados assombrados, como a Haunted Gallery, no Hampton Court Palace, a Edinburgh Vaults e o Mary King's Close. Primeiro ele consultou registros escritos e entrevistou funcionários para determinar exatamente onde, em cada lugar, as pessoas registraram ocorrências de fantasmas. Depois ele pediu que os visitantes documentassem suas experiências e registrassem qualquer coisa fora do comum.

Seus resultados têm sido bastante consistentes: as pessoas registram mais experiências estranhas nas áreas onde outros já passaram por fenômenos incomuns no passado. Em outras palavras, as pessoas têm mais experiências fantasmagóricas nos lugares que parecem ser os mais assombrados, o que é verdade, independentemente de as pessoas conhecerem ou não a área previamente ou sua história fantasmagórica.             Entretanto, as pessoas que dizem acreditar em fantasmas ou que já souberam de alguma ocorrência sobrenatural num lugar específico relatam acontecimentos estranhos com mais freqüência.

     Essas descobertas podem dar base à idéia de que um prédio pode ser assombrado. Os projetos de But Weisman também envolveram a procura pela fonte dos fenômenos aparentemente paranormais. Além de reunir registros de acontecimentos estranhos, ele avaliou as condições físicas de cada lugar assombrado. Ele e sua equipe usaram instrumentos para medir luz, umidade, som e campos magnéticos, e suas medições sugeriram que os sinais de que um prédio é assombrado normalmente têm uma causa racional, física. O site The ghost experiment (em inglês) inclui resumos de várias das experiências de Weisman.

     Outros pesquisadores usaram métodos parecidos para tentar determinar as causas de uma ocorrência fantasmagórica. Embora ninguém tenha provado conclusivamente que fantasmas não existem, os pesquisadores propuseram um número de explicações alternativas sobre causas físicas ou psicológicas para as experiências estranhas. Algumas são simples: as pessoas podem ter alucinações ou confundir reflexos, sombras e barulhos indefinidos com fantasmas. Outras teorias são mais complexas. Seguem alguns exemplos.

Campos elétricos e magnéticos

     Em alguns lugares assombrados, os pesquisadores mediram campos magnéticos maiores do que o normal ou que tinham flutuações incomuns, que podem ser fenômenos localizados, ocorrendo em razão de equipamentos eletrônicos ou formações geológicas. Podem, ainda, fazer parte do campo magnético da Terra.

Alguns pesquisadores sobre paranormalidade consideram isso como prova de presença sobrenatural: os fantasmas criam o campo. Outros sugerem que esses campos possam interagir com o cérebro humano, causando alucinações, vertigem ou outros sintomas neurológicos. Alguns pesquisadores teorizaram que essa é uma das razões pelas quais as pessoas relatam mais ocorrências fantasmagóricas à noite. Em razão da forma como o vento solar interage com a magnetosfera da Terra, o campo magnético do planeta se expande do lado escuro. Alguns pesquisadores trabalham com a hipótese de que esse campo expandido interage mais ativamente com o cérebro humano.

      Pesquisadores médicos também estudaram os efeitos dos campos elétricos no cérebro humano. O estímulo elétrico no giro angular do cérebro, por exemplo, pode causar a sensação de haver alguém atrás de você, imitando seus movimentos. O estímulo elétrico para diferentes partes do cérebro também causou alucinações ou experiências de quase morte.

 

Temperatura
     As áreas frias são um fenômeno comum em prédios considerados assombrados. As pessoas descrevem quedas bruscas de temperatura ou lugares frios localizados em um ambiente que estava quente. Normalmente os pesquisadores conseguem encontrar uma fonte específica para a área fria, como uma janela resfriada ou chaminé. A sensação de temperatura mais baixa também pode acontecer em razão da baixa umidade. No estudo de Wiseman na Mary King's Close, os lugares considerados assombrados eram significativamente menos úmidos do que os outros.

 

Ondas sonoras de baixa frequência
     Pesquisas demonstraram que as ondas sonoras de baixa freqüência, conhecidas como infra-som, podem causar fenômenos que as pessoas normalmente associam com fantasmas, o que inclui sensação de nervosismo e desconforto, bem como a sensação de alguma presença no ambiente. As ondas sonoras também podem fazer os olhos dos seres humanos vibrarem, causando a visualização de coisas que não estão lá. Normalmente essas ondas têm freqüências menores de 20 Hz; portanto, são muito baixas para que as pessoas realmente as percebam. Em vez de perceberem o som em si, as pessoas percebem seus efeitos.

     Algumas vezes os pesquisadores conseguem localizar a fonte do som. O artigo "The Ghost in the Machine", de Vic Tandy e Tony Lawrence, descreve uma onda imóvel de baixa freqüência produzida por um ventilador. A onda sonora desapareceu depois que os pesquisadores mudaram o ventilador de lugar. Quando a onda se dissipou, o mesmo aconteceu com os sintomas de assombrações no prédio. 

     Os pesquisadores mais céticos acreditam que o fenômeno fantasmagórico tenha explicações racionais. Entretanto, aqueles que tentam provar a existência de fantasmas dizem que, embora algumas ocorrências tenham explicações racionais, outras só podem ter se originado de forma sobrenatural. Independentemente do fato de os fantasmas serem reais ou não, muitas pessoas os acham fascinantes. Essa fascinação tem um número de causas prováveis, desde a curiosidade sobre o que acontece com as pessoas depois da morte até a idéia reconfortante de que os entes queridos que já morreram estão por perto. Histórias sobre fantasmas, como as lendas urbanas, também podem expressar o medo que as pessoas têm do desconhecido.

     Por outro lado, em seu relatório sobre Indicadores de Ciência e Engenharia, a National Science Board (NSB - Junta Nacional de Ciência) declara que a crença na paranormalidade pode ser perigosa. Segundo a NSB (em inglês), acreditar na paranormalidade é um sinal de diminuição na capacidade de pensar em coisas importantes e de tomar decisões diárias. De qualquer forma, uma vez que é virtualmente impossível provar que algo não existe, as pessoas provavelmente continuarão acreditando em fantasmas e em casas assombradas, principalmente pelo fato de ocorrências inexplicáveis poderem acontecer a qualquer momento.

 

VER FANTASMAS?

A maioria das imagens apresentadas como fotos de fantasma mostra o que parecem ser rostos de pessoas ou manchas inexplicáveis. O cérebro humano está programado para reconhecer rostos mesmo onde eles estão apenas sugeridos.

Richard Wiseman diz se enquadrar entre os céticos, mas diz estar realizando seu projeto sem nenhuma ideia pré-concebida sobre o assunto. Ele afirma que as imagens normalmente têm uma explicação racional, mas admite que algumas das fotos que recebeu são desafiadoras (http://scienceofghosts.wordpress.com)

 Registros fotográficos de fantasmas são abundantes desde a criação da fotografia, em 1825. Porém, segundo dados da Universidade de Heartfordshire, mais de 95% deles já foram totalmente explicados.

 

A NAVALHA DE OCKHAM

A Navalha de Ockham  "declara que, quando há duas explicações para a mesma coisa, geralmente a mais simples é a correta".

 A Navalha de Occam ou Navalha de Ockham é um princípio lógico atribuído ao Lógico e frade Franciscano inglês Guilherme de Ockham (século XIV). O princípio afirma que a explicação para qualquer fenómeno deve assumir apenas as premissas estritamente necessárias à explicação do fenómeno e eliminar todas as que não causariam qualquer diferença aparente nas predicções da hipótese ou teoria. O princípio é frequentemente designado pela expressão latina Lex Parsimoniae (Lei da Parsimónia) enunciada como:"entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem" (as entidades não devem ser multiplicadas além da necessidade). Esta formulação é muitas vezes parafraseada como "Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenómeno, a mais simples é a melhor". O princípio recomenda assim que se escolha a teoria explicativa que implique o menor número de premissas assumidas e o menor número de entidades. Originalmente um princípio da Filosofia Reducionista do Nominalismo, é hoje tido como uma das máximas heurísticas (regra geral) que aconselha economia, parcimónia e simplicidade, especialmente nas teorias científicas.

 

 

 

 

 

   

   

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